Em um cenário econômico cada vez mais digital, o cartão de crédito se tornou um dos protagonistas nas finanças dos brasileiros. Sua facilidade de uso, aliada às opções de parcelamento e aos benefícios oferecidos pelas bandeiras, molda comportamentos e define hábitos de consumo. Para entender como esses instrumentos impactam o perfil do consumidor, é fundamental analisar dados, tendências e riscos em diferentes segmentos sociais.
Nos últimos anos, o Brasil se consolidou como um dos líderes mundiais na adoção de meios de pagamento eletrônicos. Em 2024, 65,8% dos R$ 965 bilhões transacionados eletronicamente no primeiro trimestre foram via cartão de crédito, totalizando R$ 635,2 bilhões e registrando um crescimento de 11,4% em 12 meses. Esse movimento reflete não apenas a expansão tecnológica, mas também a mudança de comportamento do consumidor, que busca cada vez mais praticidade e ofertas diferenciadas.
O mercado de cartões vive um momento de alta competitividade. Fintechs, bancos tradicionais e varejistas disputam espaço oferecendo programas de recompensas, cashback e limites personalizados. Em paralelo, cresce a preocupação com a segurança das transações, impulsionando investimentos em autenticação e criptografia.
A posse de cartões varia de acordo com o perfil socioeconômico. Em média, 52% dos brasileiros possuem três ou mais cartões de crédito, visando somar os limites disponíveis e ampliar o poder de compra. No entanto, as motivações e comportamentos diferem conforme classe, idade e gênero.
Quanto à faixa etária, jovens até 18 anos preferem Visa (52,6%), enquanto adultos jovens se concentram em Mastercard (76,5%). Usuários acima de 30 anos aplicam seu gasto principalmente em vestuário e calçados (65,4%). Mulheres realizam 49% das compras desse segmento, refletindo escolhas orientadas por necessidades diárias.
O cartão de crédito não é apenas um meio de pagamento, mas também uma ferramenta de gestão. Aproximadamente 61% dos usuários optam por compras parceladas, dividindo o valor em várias faturas. Já 37% utilizam-no para despesas essenciais, como supermercado e contas mensais, enquanto 14% o veem como complemento de renda.
Em cidades do interior, 60,4% têm apenas um cartão, demonstrando menor oferta de produtos financeiros ou menor demanda por múltiplas linhas de crédito. Isso reforça a segmentação do mercado e a necessidade de ofertas específicas para cada perfil local.
Apesar dos benefícios, o uso do cartão acarreta desafios. Mais da metade dos consumidores não controla adequadamente suas despesas, e 29% já sofreram negativação por falta de pagamento da fatura. O desconhecimento das cobranças é alarmante: apenas 4% conhecem a taxa de juros de seus cartões.
Embora 58,6% liquidem o valor integral da fatura, uma parcela significativa recorre ao rotativo, suportando as elevadas taxas de juros rotativos. Além disso, 15,2% dos usuários já sofreram clonagem, tornando a segurança um ponto crucial. Atualmente, 50,5% fazem uso de aplicativos para monitorar gastos e evitar surpresas no fechamento da fatura.
O abuso do crédito fácil pode levar ao consumismo e à falta de planejamento, principalmente em famílias de menor renda. Indivíduos com múltiplos dependentes, baixa educação financeira e múltiplos cartões têm maior risco de endividamento prolongado, prejudicando a qualidade de vida e o acesso a serviços de crédito no futuro.
Para um uso mais consciente, é vital adotar práticas de controle e buscar conhecimento sobre as condições contratuais. Ações de educação financeira, oferecidas por instituições e iniciativas do governo, podem reduzir a inadimplência e melhorar a saúde econômica das famílias.
Com práticas simples e disciplina, é possível aproveitar os benefícios do cartão sem comprometer o futuro financeiro. A chave está na consciência dos riscos, na busca contínua de conhecimento e na adoção de hábitos saudáveis de consumo.
Referências