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Empréstimo Estudantil: O Caminho Para a Educação

Empréstimo Estudantil: O Caminho Para a Educação

27/11/2025 - 13:32
Giovanni Medeiros
Empréstimo Estudantil: O Caminho Para a Educação

O acesso ao ensino superior é um dos pilares para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. Para muitos jovens, porém, o custo das mensalidades nas instituições privadas se torna um obstáculo quase intransponível. É nesse cenário que o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) surge como uma solução viável, oferecendo crédito educacional com condições diferenciadas.

Neste artigo, vamos explorar o histórico, funcionamento e desafios do Fies, além de apresentar dados recentes e alternativas de financiamento para estudantes brasileiros.

Histórico e Objetivos do Fies

Criado em 1999, o Fies tinha como meta inicial ampliar o número de estudantes de baixa renda no ensino superior privado. Desde então, passou por diversas reestruturações para se adequar às demandas econômicas e orçamentárias do país.

Com o passar dos anos, o programa atingiu mais de 2 milhões de contratos ativos. Entretanto, após mudanças nas regras de acesso em 2014 e a crise econômica subsequente, o número de contratos caiu para menos de 400 mil em 2024.

O principal objetivo do Fies é democratizar o acesso à educação superior sem onerar o estudante durante o curso. As parcelas só começam a ser pagas após a conclusão da graduação e a inserção no mercado de trabalho.

Funcionamento e Etapas do Processo Seletivo

Para concorrer a uma vaga pelo Fies, o estudante deve cumprir requisitos básicos, como ter participado do Enem com pontuação mínima de 450 pontos e renda familiar de até três salários mínimos por pessoa.

O processo seletivo ocorre em duas fases por ano, com inscrições online e possibilidade de escolha de até três cursos. Após a primeira chamada, abre-se etapa para preenchimento de vagas remanescentes.

  • Inscrições: realizadas no portal do Fies no período previsto pelo MEC.
  • Pré-seleção: candidatos aprovados são informados via e-mail e devem apresentar documentação.
  • Contratação: assinatura do contrato junto ao agente financeiro e à instituição de ensino.

O modelo de pagamento adotado pelo Fies é inspirado em países como a Austrália, onde o valor da dívida é descontado diretamente da renda do graduado, garantindo flexibilidade financeira e reduzindo inadimplência.

Números Recentes e Perfil dos Beneficiários

No primeiro semestre de 2025, foram registradas 493.002 inscrições para 67.301 vagas, resultando em mais de 198 mil candidatos únicos. Desses, 50.412 foram pré-selecionados, ocupando cerca de 75% das vagas ofertadas.

Para compreender melhor a distribuição regional dos inscritos e do Fies Social, veja a tabela abaixo:

Os cursos mais procurados foram Medicina, Direito, Psicologia, Pedagogia e Enfermagem, com Medicina liderando a lista de pré-selecionados (6.328).

Em termos demográficos, 58,9% dos beneficiários se declararam pardos, 24,75% brancos, 16,91% pretos e 1,35% amarelos e indígenas. Esse perfil revela o papel do Fies como instrumento de inclusão social.

Fies Social e Critérios de Acesso

A modalidade Fies Social reserva metade das vagas para estudantes com renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa, desde que inscritos no Cadastro Único do Governo Federal.

  • Baixa renda familiar: exclusivo para quem se enquadra no critério social.
  • Prioridade regional: foco em áreas menos desenvolvidas, como o Nordeste.
  • Incentivo a licenciaturas: vagas específicas para formar professores pelo programa Mais Professores.

Essa vertente torna-se fundamental para reduzir desigualdades regionais e sociais no acesso ao ensino superior.

Desafios e Perspectivas

Apesar de seu alcance, o Fies enfrenta entraves estruturais: a diminuição drástica de vagas e contratos, critérios restritivos tornados ainda mais rígidos após 2014 e a dependência de orçamento federal.

Entre as propostas em debate, está a utilização de recursos do FGTS para pagamento de mensalidades, o que poderia ampliar os recursos disponíveis e facilitar o acesso.

No entanto, especialistas ressaltam que a melhoria da qualidade do ensino médio é imprescindível para que mais jovens cheguem preparados ao ensino superior e possam aproveitar plenamente as oportunidades de financiamento.

Alternativas de Financiamento Privado

Com a retração do Fies, instituições privadas e fintechs ganharam espaço. A Pravaler, por exemplo, já conta com 120 mil alunos ativos e detém 85% do mercado de crédito educacional privado no Brasil.

Essas empresas oferecem planos diferenciados, incluindo pós-graduação, tecnólogos e cursos livres, diversificando as opções de formação e aliviando a pressão sobre o programa público.

Investimentos e o Futuro da Educação

Em termos de investimento, o Brasil destina cerca de US$ 3.668 anuais por aluno à educação básica, valor similar ao da Argentina, mas abaixo da média da OCDE.

O orçamento federal para 2024 foi de R$ 90,7 bilhões, com execução de R$ 74 bilhões. É urgente otimizar esses recursos e garantir maior transparência para que o financiamento chegue de fato aos estudantes.

O empréstimo estudantil continua sendo uma das principais portas de entrada para estudantes de baixa renda, mas seu potencial pleno só será alcançado com equilíbrio entre políticas públicas, iniciativas privadas e avanços na qualidade do ensino médio.

Giovanni Medeiros

Sobre o Autor: Giovanni Medeiros

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